Escrevo uma carta na esperança de que a palavra atravesse muros.

Eliane Brum.

Começo esse post já indicando dois maravilhosos textos que podem penetrar em nossos corações e em nossa mente para compreender o negro no Brasil e no mundo. Sempre me questionei do porquê da relevância do holocausto judeu tratada de forma abundante nas mídias, livros, documentários, e uma certa desproporcional quantidade de materiais sobre o sequestro dos africanos. O sequestro chamado de escravidão possivelmente torna mais ameno diante da palavra genocídio. Acredito que, em números, mais negros foram assassinados do que judeus, e talvez ultrapasse também as mortes dos povos árabes. (1)

Duas situações envolvendo um turbante. Aparentemente algo insignificante, mas que descobri se tratar de temas profundos ligados ao simbolismo e à forma de como percebemos os fatos, os textos e a voz dos negros. São 2 textos maravilhosamente bem escritos.

O primeiro é de Ana Maria Gonçalves, que conheci por causa do Podcast sobre Literaturas Africanas do Cabuloso Cast. E o segundo é da Eliane Brum. Entendi por meio desses textos que tivemos um sequestro histórico de pessoas cujos registros foram destruídos juntamente com qualquer elo para sua cultura local. As tradições e costumes de um povo foram desqualificadas como sincretismo, a língua como dialeto, os mitos como folclore e rituais como vudu ou seitas. A aparência e o corpo são hoje entendidos como exóticos e, da mesma forma que a elite sobe o morro pra cantar funk sobre vida de favela, pessoas se apropriam da cultura afro para figurar algo referente à moda. Como se sair vestido de padre fosse moda e não representasse algo àquela religião.

Somos signos criados pelos brancos para que nossa negritude pudesse, e ainda possa, ser mercantilizada.

Ana Maria Gonçalves

Boa parte da população branca brasileira sabe de suas origens europeias e cultiva, com carinho e orgulho, o sobrenome italiano, o livro de receitas da bisavó portuguesa, a menorá que está há várias gerações na família. Quem tem condições vai, pelo menos uma vez na vida, visitar o lugar de onde saíram seus ancestrais e conhecer os parentes que ficaram por lá. E os descendentes dos africanos da diáspora? (…)

Ana Maria Gonçalves

OS TEXTOS:

  1. Na polêmica sobre turbantes, é a branquitude que não quer assumir seu racismo
  2. De uma branca para outra


(1) Não li dados acadêmicos recentes sobre esses números, sendo apenas uma dedução diante de textos lidos sobre o assunto.

Crédito das Imagens

http://jornalggn.com.br/noticia/palavra-de-ministros-por-janio-de-freitas

 

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